terça-feira, 10 de março de 2009

Por que somos Oposição a direção do Sinttel RS?

Muitos colegas pensam que os membros da Oposição Chamando à Luta são representantes diretos da direção do Sindicato. Porém não temos nenhuma responsabilidade sobre seus atos. Por isso, achamos importante explicar aos trabalhadores por que somos oposição à atual diretoria.

1 - O que é a oposição e quem se organiza nela?
A Oposição é formada pela vanguarda dos trabalhadores em call centers mais conscientes da exploração capitalista e das suas conseqüências sobre a nossa classe. Surgiu para lutar por um novo sindicalismo, distinto do praticado pela atual diretoria que, diga-se de passagem, só beneficia a patronal.

2 - Qual o programa da atual diretoria e qual o programa da Oposição?
Primeiro vamos definir o que é um programa. O programa é um conjunto de palavras de ordens que sintetizam a ação política comum de milhares de pessoas visando atingir um objetivo. Sintetiza a experiência coletiva do movimento operário. Expressa uma consciência coletiva fundada na experiência histórica acumulada pela luta de classes.

A atual diretoria do Sinttel defende um programa reformista — luta por pequenas reformas — para ir “melhorando a vida dos trabalhadores aos poucos”. O programa reformista se mantém inteiramente nos limites do capitalismo. O sistema da burguesia funciona assim: tudo o que concede com uma mão, retira com a outra em dobro. Por isso não pode ser reformado.

Já a Oposição Chamando à Luta defende um programa revolucionário, que almeja unificar todas as lutas específicas (melhores salários, melhores condições de trabalho, plano de saúde, etc.) em uma única e mesma luta: a derrubada do capitalismo através de uma revolução socialista. É preciso varrer, de uma vez por todas, este sistema para a lata do lixo da História; assim como foi feito com o feudalismo.

3 - Quais os meios empregados pela direção do Sinttel e pela Oposição para aplicar seus respectivos programas?
O programa reformista usa métodos de natureza conciliadora: acordos coletivos em mesas de negociação com a patronal a portas fechadas e com ausência da base organizada; paralisações fantasmas, que são apenas vigílias; acordos de bastidores; assembléias esvaziadas convocadas da noite para o dia; por fim, a cúpula do sindicato defende, como forma de semear ilusões, a pressão sobre o parlamento e os políticos da burguesia. Na verdade, estes sindicalistas querem preservar o capitalismo e as benesses materiais que, enquanto dirigentes do Sindicato, conservam neste sistema.

Os métodos do programa revolucionário são: panfletagem, propaganda e agitação; trabalho de propaganda individual com os trabalhadores; organização por local de trabalho; paralisação, greve e ocupação; piquetes de greve de persuasão e coercitivos. Somente com métodos revolucionários é possível destruir as ilusões e conquistar mudanças para a classe trabalhadora.

4 - Como se relaciona com a patronal a direção do Sinttel e a Oposição?
A direção do Sindicato se relaciona com a patronal através da conciliação de classes. Procuram uma relação amigável. A Oposição se relaciona com a patronal sem nenhuma conciliação nos interesses, até por que, como a História nos mostra, a patronal não atenderia amigavelmente nossas reivindicações.

5 - Qual a relação da atual diretoria e da Oposição com o aparato sindical?
A atual diretoria usa o aparato sindical para a defesa de um programa reformista e em benefício próprio. Ao tornarem-se membros do sindicato, estes elementos ganham liberação do trabalho, tornando-se livres da pressão das metas, do assédio moral cotidiano, etc. Com o tempo livre deveriam militar pelos interesses da categoria, mas preferem utilizar inescrupulosamente da estrutura do sindicato (Xerox, impressoras, computadores, contribuição sindical, etc.) para fazer campanha para a sua própria chapa de reeleição. Daí surge o carreirismo dos funcionários que viram sindicalistas “eternos”. Tornam-se os representantes diretos dos interesses da burguesia dentro dos sindicatos. A Oposição pretende organizar os trabalhadores conscientes para lutar contra isso; para denunciar, desmascarar e, por fim, expulsar a burocracia dos sindicatos.

O programa da Oposição visa colocar toda a estrutura sindical a serviço da conscientização, da organização e da luta dos trabalhadores. Queremos a independência política dos trabalhadores da classe burguesa. Para isso, é preciso que o Sindicato seja financiado conscientemente pelos trabalhadores de base, que estes sejam levados a ter uma vida sindical também consciente. Em uma palavra, que sirva para tornar as decisões o mais democrático e transparente possível. A Oposição usa seus representantes sindicais e cipeiros para denunciar, conscientizar e organizar os trabalhadores neste espírito revolucionário contra o capitalismo.

6 - Como a atual diretoria e a Oposição se relacionam com a base dos trabalhadores?
A atual diretoria age cinicamente com os trabalhadores de base. Precisa se equilibrar numa corda bamba: de um lado a gravidade pressiona para defender e ocultar estes privilégios da estrutura burocratizada; do outro a pressão vem dos próprios trabalhadores, que esperam algum tipo de atitude da diretoria. Quando confrontados pela presença da Oposição na luta do reajuste salarial da Atento, por exemplo, o sindicato foi obrigado a demonstrar serviço, caso contrário não existiria finalidade alguma para a sua existência. Na realidade, eles jogam nas costas dos trabalhadores a sua preguiça, falta de iniciativa e covardia. A Oposição busca a mais estreita relação com a base, visando a participação dos trabalhadores nas principais decisões da categoria através do voto: acordos coletivos, contrapropostas de acordos coletivos, definição de salário, luta contra demissões, campanhas sindicais, nas paralisações, greves, e damos apoio à luta dos demais setores da classe trabalhadora.

7 - Que tipo de “democracia” defende a direção do Sinttel e a Oposição?
Nós da oposição, defendemos a democracia proletária, que surge da luta direta dos trabalhadores e também da estreita solidariedade de classe que surge na produção. É uma democracia que, se utilizando dos organismos da classe trabalhadora visa participar dos destinos não só de cada categoria profissional, mas de toda a sociedade organizada por estes organismos. Esta democracia plena só pode existir em uma sociedade socialista desenvolvida. Contudo, desde já deve-se dar passos nesse sentido, educando e conscientizando os trabalhadores através de uma prática sindical baseada neste programa revolucionário.

A atual diretoria do sindicato defende a democracia parlamentar burguesa que exclui os trabalhadores e a maioria do povo pobre das principais decisões. Elas são tomadas nas bolsas de valores, nas cúpulas das multinacionais e só depois são referendadas pelos partidos burgueses no Congresso, que recebem generosas somas em dinheiro para aprová-las (eis o verdadeiro motivo dos sucessivos escândalos de corrupção). Ao povo, resta apenas o direito de votar em partidos selecionados pela burguesia. As assembléias intencionalmente mal convocadas e a desorganização por local de trabalho são um reflexo desta “democracia” maior, defendida pela direção do nosso sindicato. O governo Lula é um resultado desta estratégia eleitoral e os trabalhadores pagam caro demais por ela. Por isso, nós da Oposição, lutamos contra esta farsa democrática, chamada pela burguesia e pelos dirigentes sindicais de “democracia”.

8 - Qual é a posição da direção do Sinttel e da Oposição frente aos partidos políticos?
A direção do Sinttel defende publicamente o apartidarismo, isto é, a ausência de partidos políticos. Nega a participação no movimento sindical de qualquer partido. Porém, por debaixo desta fachada anti-partido, esconde-se os partidos da burguesia que lutam por aparelhar os sindicatos. A atual diretoria do Sinttel é composta por militantes do PT. Em função do caráter burguês deste partido, eles se escondem atrás de frases apartidárias, quando na realidade são militantes políticos ativos. O sindicalismo defendido pelos partidos patronais (como o PT, por exemplo) é o que relatamos até aqui: reformista, conciliador e aparelhador.

A Oposição defende a participação organizada dos trabalhadores no movimento sindical. Não exclui os partidos e muito menos se esconde em frases apartidárias. Joga às claras com os trabalhadores. Em seu seio organizam-se tendências políticas e embriões do partido revolucionário, bem como ativistas sem partido. Nossa luta não é contra os partidos em geral, como faz a direção burguesa de nosso sindicato, mas contra os partidos burgueses em específico. O apartidarismo conserva a ignorância e o desprezo pela organização e consciência política da nossa classe. A inexistência de um partido revolucionário forte e organizado é a principal causa da escravidão assalariada ainda persistir. A luta contra o aparelhamento partidário das entidades não pode ser contra a existência de partidos no movimento, mas sim contra os partidos de caráter e programa burgueses.

9 - Por que a diretoria do Sinttel defende a CUT e a Oposição a Conlutas?
Os trabalhadores, em sua luta por uma sociedade socialista, devem se unir aos demais trabalhadores e setores explorados. O corporativismo, isto é, aquela prática de manter as lutas isoladas por categoria, de achar que cada categoria não deve interferir na outra, é um mal nocivo que impede a vitória política dos trabalhadores. Os sindicatos devem organizar-se em federações de sindicatos, isto é, nas chamadas centrais sindicais. Contudo, assim como os sindicatos adaptados ao Estado burguês, as principais centrais do país não fogem a regra. A Força Sindical, a CTB e demais centrais (CGT, UGT, etc.) são centrais do grande capital. Cumprem um papel de correia de transmissão direta dos interesses da burguesia, portanto, não tem nenhum papel progressivo, ao contrário, precisam ser destruídas pelos trabalhadores. A CUT, apesar de ser a maior central do Brasil, também é controlada pelo grande capital. É dirigida diretamente pelo PT e, após a eleição de Lula, passou a ser a agente deste no movimento sindical. A CUT defende todas as reformas que retiram direitos: reforma sindical, reforma trabalhista (que acaba com férias, décimo terceiro salário, licença maternidade, etc.), reforma da previdência (que aumenta a idade mínima para a aposentadoria), etc. A CUT é a precursora e mantenedora do sindicalismo reformista, praticado pelo Sinttel. No início de 2004, cansados do peleguismo e do governismo da CUT, centenas de sindicatos romperam com esta central e fundaram a Conlutas. No meio deste processo, em 2005, a direção do Sinttel aprova em seu congresso a filiação oficial a CUT.

A Conlutas (Coordenação Nacional de Lutas), apesar de minoritária no movimento sindical, agrupa o melhor da vanguarda dos trabalhadores brasileiros. Ainda que tenha problemas, discute estratégias ao socialismo (estratégia abandonada pela CUT). Por compreendermos a necessidade de lutar em conjunto com os demais trabalhadores, optamos por construir a Conlutas em alternativa à falência política da CUT. Entretanto, não participamos da Conlutas de forma acrítica e submissa. Pelo contrário, participamos da forma mais ativa possível, criticando e lutando contra os rumos dados a ela por sua direção majoritária (o PSTU/PSOL). A nossa batalha também é para desfiliar o Sinttel da CUT e filiá-lo à Conlutas, para que com o programa apresentado, consigamos somar forças com os demais setores internos que lutam contra os rumos burocráticos adotados pela direção majoritária, e para que sejamos capazes de ajudar na formação de uma central forte, revolucionária e socialista.

10 - Quais são os fins da Oposição Chamando à Luta?
Antes de qualquer consideração final, é preciso que se diga que apesar de nossas diferenças irreconciliáveis com a direção do Sinttel, participamos de todas as atividades convocadas pelo Sindicato para propagandear aos trabalhadores nosso programa de luta e as limitações desta direção; seja em uma manifestação, uma assembléia, um reajuste salarial, etc. Não escondemos dos trabalhadores nenhuma intenção política e nenhum passo que pretendemos dar. A Oposição existe não porque quer ser oposição para sempre. Nossa existência se justifica pela necessidade de retomarmos o nosso sindicato da burocracia parasitária. Lutamos por organizar e conscientizar os trabalhadores não só da necessidade da luta e da revolução socialista, mas também da imperiosa necessidade de retomar o Sinttel das mãos desta diretoria que o utiliza como moeda de troca perante a patronal.

Ao retomar o Sindicato a nossa principal estratégia é colocá-lo a serviço dos interesses dos trabalhadores e, portanto, à serviço do programa revolucionário. Não buscamos cargos e aparatos. Buscamos organizar os trabalhadores por local de trabalho, mas não somente eles; queremos organizar também os trabalhadores desempregados, que se tornam, a cada dia que passa, uma massa maior de homens sem nenhuma perspectiva; buscamos o controle do sindicato para conscientizá-los de que nossa vida só mudará verdadeiramente com o fim do capitalismo. Buscamos, enfim, fazer dos sindicatos, como dizia Lênin, “escolas de socialismo”.

A você colega, que acabou de ler este material explicativo, convidamos para que venha somar forças na construção da Oposição Chamando à Luta que, apesar de pequena, é absolutamente necessária. Participe como for possível: reunindo nos encontros oficiais, contribuindo financeiramente, passando panfleto para os colegas, pautando discussões importantes com os colegas mais próximos, etc. E o mais importante: combater as ilusões existentes na nossa categoria a respeito da direção do nosso Sindicato.

Entre em contato conosco pelo e-mail: chamandoaluta@gmail.com

domingo, 8 de março de 2009

Abaixo a proposta da empresa de pagar PPR proporcional!! Por um PPR integral e à todos os trabalhadores!!

Organizar os trabalhadores para lutar contra a crise capitalista

No início de 2009 os trabalhadores da Atento puderam ver em qualquer jornal o tamanho da crise capitalista. Muitos sentiram na pele com algum parente ou conhecido demitido. Essa crise é mais uma demonstração de que o capitalismo não oferece futuro aos trabalhadores. As demissões em massa nos bancos, empresas e fábricas são apenas a ponta do iceberg.

Num momento de crise é fundamental reorganizar a classe trabalhadora. A direção burocrática do Sinttel/RS e da federação dos sindicatos telefônicos (Fittel) - ambos ligados a CUT/PT - não possuem nenhuma responsabilidade com a luta dos trabalhadores. Para eles, a principal forma de luta da base dos trabalhadores se dá com a simples filiação ao sindicato. Não somos contra a organização sindical; somos contra a filiação como um fim em si mesmo. A filiação sindical deve ser para avançar na organização, na consciência e na luta; não apenas para abocanhar a contribuição sindical.

Construir uma assembléia de base para organizar a luta por um PPR integral

A direção do SINTTEL é consciente de que a desorganização dos trabalhadores torna impossível realizar qualquer luta. Suas atitudes e seus materiais fingem combatividade, mas, na realidade, eles não querem que as lutas aconteçam. O recente chamado a “greve e paralisação já”, do panfleto de fevereiro de 2009, N°1027, é um blefe. Não somos contra a greve para derrotar a patronal e conquistar um PPR digno e verdadeiro. Porém, nenhuma greve (ou mesmo paralisação) pode ser decretada, ela é uma ferramenta de luta que precisa ser construída pela base. A direção do SINTTEL é avessa a organização de base, por isso negocia com a patronal nosso PPR à portas fechadas e evita, por todos os meios, a mobilização de base. Se a direção do Sindicato quisesse realmente fazer paralisação e greve chamaria uma assembléia de base, com todos os trabalhadores dispostos a organizá-la, que além da paralisação/greve, deveria discutir a contra proposta dos trabalhadores para o PPR.

O mais lamentável é que no panfleto do Sinttel não existe nenhuma contra proposta clara, apenas propaganda para o patrão. Em seu confuso texto lemos que: “A principal vantagem que o PPR oferece é que todos os seus adeptos, empresários e funcionários, ganham em produtividade (...) além de funcionar como motivação interna aos funcionários”. A “motivação” defendida pelo Sinttel é sua defesa disfarçada do PPR da empresa: os patrões lucram bilhões, nós ganhamos mais trabalho! Eis o verdadeiro sentido desta “motivação”. Não é só a Atento que “não tem vergonha na cara” e que “mente” aos seus trabalhadores. A Comissão Nacional que negocia o PPR à portas fechadas com a Atento (e sem assembléia) é outra mentira. Esta “comissão” não é composta por nenhum trabalhador de base sequer, apenas pelos funcionários e burocratas dos sindicatos.

Na luta pelo PPR não podemos aceitar esmolas e mentiras. Os trabalhadores devem ter acesso aos números da empresa para que possam calcular o valor real do PPR e não a proposta atual de porcentagem sobre o salário e dias trabalhados. Enquanto que para nós o salário é menor que o mínimo e a proposta do PPR é de apenas 9 meses, sabemos que a Atento lucrou, em 2008, mais de R$3 bilhões de reais. A direção do Sinttel sabe disto, mas prefere falar abobrinha em seus materiais. Além da proposta dos 9 meses, também é preciso derrotar o artifício da empresa do “absenteísmo retroativo”, que é apoiado cinicamente pela direção do sindicato. Nós, da Oposição, defendemos que todos os trabalhadores, sem exceção, devem ter direito ao PPR/2008 sem nenhum desconto. Para derrotar a empresa e a sua esmola, chamada de PPR, é preciso derrotar o inimigo na mesma trincheira: a direção do Sindicato. O primeiro passo é se organizar na Oposição e lutar por um novo sindicalismo para derrotar esta direção pelega que está incrustada no nosso sindicato.

- ABAIXO A PROPOSTA DA EMPRESA! POR UM PPR INTEGRAL E PARA TODOS OS TRABALHADORES;
- ORGANIZAR UMA ASSEMBLÉIA DE BASE PARA DISCUTIR PARALISAÇÃO E GREVE! ABAIXO A PROPOSTA IRRESPONSÁVEL DO SINTTEL DE DECRETAR GREVE DO ALTO!
- POR UMA COMISSÃO DE TRABALHADORES DE BASE JUNTO À COMISSÃO NACIONAL; ABAIXO AS NEGOCIAÇÕES DO PPR À PORTAS FECHADAS!


8 de Março – Dia de luta das mulheres trabalhadoras

O 8 de março é uma data muito importante pois representa a luta das mulheres trabalhadoras contra a exploração capitalista. Tendo origem em uma greve histórica de operárias têxteis, esse dia deve ser para refletir e lutar. Na Atento, reivindicamos a ampliação do auxilio creche até os 7 anos de idade para todas as mães trabalhadoras, sem restrições. Lutamos contra o machismo, o racismo, a homofobia e o assédio moral. Por um vale refeição que corresponda a uma cesta básica completa. Pela redução da jornada sem redução de salários para que todos trabalhem. Pelo fim da dupla jornada de trabalho para as mulheres (jornada de trabalho + jornada de trabalho domiciliar): salário igual para trabalho igual. Por reajustes de acordo com a inflação. Para nós, isso é só o começo, todas as nossas lutas – desde o PPR, até o 8 de março, dia internacional das mulheres – devem ser contra o sistema de exploração capitalista.

Visite nosso blog
http://www.chamandoaluta.blogstpot.com/ – para receber os informes da oposição mande um e-mail para chamandoaluta@gmail.com

Este material foi distribuído no dia 5 de março e foi financiando com a contribuição dos trabalhadores! Contribua com a oposição, ajude com o que for possível. Para termos independência de classe temos que ter independência financeira da burguesia!

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Exploração no feriado de natal, ano novo e, agora, no carnaval demonstra grau de degeneração do capitalismo

Mal começou o ano de 2009 e a Atento já preparou um novo ataque aos trabalhadores. Após a ameaça de não dar direito ao feriado de natal e ano novo caso a meta não fosse batida, a empresa pretende fazer alguns setores trabalhar durante o carnaval. Trata-se de mais um ataque contra os trabalhadores, pois o carnaval é um feriado nacional e, como todos sabem, o Brasil para durante as festas.

A Atento, apoiada nas leis atuais que só beneficiam a burguesia, não vai pagar dobrado aos trabalhadores que forem obrigados a trabalhar no carnaval, mesmo tendo lucrado, em 2008, mais de R$3 bilhões de reais. A meta batida nos meses anteriores e usada para dar direito ao feriado de natal e ano novo lhe é indiferente; os trabalhadores ganham um “novo prêmio”: mais trabalho! O capital, assim como o vampiro que suga suas vítimas, está ávido por trabalho excedente. No capitalismo, o desenvolvimento da produtividade do trabalho não tem como fim atingir a redução da jornada de trabalho (K. Marx – O Capital); muito pelo contrário, quanto mais se trabalha, mais trabalho surge. Por isso somos escalados para trabalhar nos sábados, nos domingos e nos feriados. E, proporcionalmente, quanto mais a burguesia lucra, mais o salário é arrochado.

O verdadeiro culpado do trabalho nos feriados é o capitalismo, que precisa manter a taxa de lucro da burguesia sempre em elevação. Por isso mesmo não pode conceder aos trabalhadores folgas nos feriados. Com o passar do tempo, ao invés da situação da classe trabalhadora melhorar (com redução da jornada de trabalho, melhores salários, melhores condições de vida, etc.), o que estamos presenciando é um retrocesso ao capitalismo selvagem do Século 19. Desde o início do Século 20, este sistema caminha rumo à barbárie (vemos as mazelas sociais crescerem vertiginosamente, como o desemprego, fome, miséria, prostituição, etc.) e, nesta caminhada rumo a decadência, obriga os trabalhadores a terem jornadas aos sábados e também aos feriados, enquanto que deixa à margem da produção milhões de desempregados. Dentro do sistema capitalista os trabalhadores serão sempre condicionados a chantagem do “tudo ou nada”; ou seja, ou se aceita as condições da patronal ou se vai para o olho da rua. E isto se inclui, evidentemente, ficar sem direito aos feriados. Só a luta de classes e a organização dos trabalhadores pode dar fim a esta exploração incessante. Como ficou demonstrado, este sistema não representa nenhum futuro para a humanidade, por isso precisa ser derrubado pelas organizações da classe trabalhadora. Somente o socialismo pode representar o fim desta exploração desenfreada.

Para isso é preciso organizar a luta de resistência e mostrar claramente aos trabalhadores o verdadeiro inimigo: a burguesia e seu sistema, o capitalismo. Como primeira medida rumo à nova sociedade, é preciso retomar o Sindicato das mãos da burocracia cutista e colocá-lo novamente nas mãos dos trabalhadores organizados. Sobre o trabalho nos feriados e a exploração carnavalesca a direção do Sindicato não organizou nenhum tipo de ação contra a patronal e sequer se pronunciou. A diretoria do Sinttel/RS deve estar muito ocupada preparando uma nova gincana para o carnaval em sua colônia de férias em Rondinha, enquanto que centenas de trabalhadores sustentam o peso da exploração do capital durante o feriado.

À você colega que trabalhou no feriado de carnaval ou apenas ficou indignado com mais este ataque, passe o texto adiante, envie por e-mail e ajude a divulgar o blog.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Jornal "O Parceiro" do patrão N°36

O Jornal do Sinttel, intitulado “O parceiro”, N°36, de janeiro de 2009, traz algumas discussões interessantes que merecem atenção por parte dos trabalhadores. Nesta edição podemos ver quais são os métodos utilizados pela direção do Sindicato para aplicar seu programa conciliador. E o pior: como fazer propaganda disfarçada dele por entre os trabalhadores.

Capa: logo na capa já podemos notar o descompromisso da direção do sindicato com os trabalhadores de base, bem como a sua situação alheia aos principais problemas que afligem os teleoperadores. A manchete é categórica: “Queima de fogos ilumina o novo ano em rondinha”. Contudo, esta direção esquece que nas principais empresas de call centers os trabalhadores não tiveram direito a folga nem no natal, nem no ano novo. Esta reportagem, que serve apenas para divulgar a colônia de férias do sindicato, além de não denunciar a exploração patronal dos feriados nacionais, desdenha da desgraça dos trabalhadores de base. O logotipo orgulhoso da gestão “avançar ainda mais” que se encontra com destaque na capa, poderia ser tranquilamente substituído por “retroceder e atrasar a consciência dos trabalhadores ainda mais”.

Página 3: nesta página encontramos uma reportagem sobre a 5ª Marcha Nacional dos Trabalhadores em Brasília, promovida pela CUT. Mas, como todo bom governista, a direção do Sinttel não faz nenhuma crítica a Lula – o agente das multinacionais e do imperialismo – que é o maior responsável pelo subdesenvolvimento e desvalorização do trabalho, ao contrário do pretensioso lema da Marcha: “Desenvolvimento com valorização do trabalho”. Este tipo de marcha serve apenas para os dirigentes sindicais passarem um verniz de esquerda em suas respectivas caras-de-pau e fingir, perante os trabalhadores, que lutam por seus direitos. O documento entregue ao Congresso Nacional, que continha 18 propostas para enfrentar a crise capitalista, em nenhum ponto atacava a raiz do problema: o próprio capitalismo. E feita a demagogia das fotos para a mídia do recebimento deste documento, ele será arquivado e esquecido.

Página 4: já nesta página encontramos os programas assistencialistas do Sinttel, que mais visam fazer propaganda do governo Lula disfarçadamente do que realmente dar uma opção de estudo e formação aos trabalhadores, já que a jornada de trabalho, a pressão das metas e o assédio moral não permitem que os trabalhadores possam pensar em muitos projetos além do trabalho que já exercem. Esta página demonstra bem o caráter assistencialista, muito semelhante a uma ONG, que exerce o sindicato.

Página 5: esta página está dividida entre a propaganda da Conta-Salário e as oficinas e encontros realizados com trabalhadores de distintas empresas. No que diz respeito a Conta-Salário, ao invés de denunciar mais este ataque aos trabalhadores, a direção faz propaganda como sendo uma medida positiva. Tudo isso, é claro, discretamente escondido em uma suposta reportagem neutra de explicação.

Sobre a oficina e os encontros de representantes sindicais e cipeiros, nenhuma questão sobre a atual condição dos trabalhadores no capitalismo foi levantado, isto é, a pressão das metas, o assédio moral, os baixos salários, o desemprego, etc. E o mais importante: métodos de luta para se combater estas mazelas do capitalismo. No jornal só se fala em LER e doenças do trabalho. É a direção do Sinttel, mais uma vez, propagandeando um sindicalismo amorfo e de faz de conta.

Página 6: nesta página temos o seu verdadeiro foco: os aposentados. Afinal de contas, em muitas eleições são eles quem decidem através do voto a manutenção da atual diretoria. Se fala dos projetos do petista Paulo Paim, que tenta extinguir o Fator Previdenciário através do Senado corrupto. Esta demagogia foi ainda mais longe: o Sinttel enviou uma delegação para ajudar na tal vigília de Paim, que até agora não conquistou absolutamente nada. E o pior é que o jornal, por ser governista, omite a reforma da previdência, levado a cabo pelo presidente Lula, que pretende aumentar a idade mímina para a aposentadoria.

Na página 6 também encontramos uma propaganda desavergonhada do governo Federal, onde se diz que os “Remédios têm 90% de desconto” e no centro traz o slogan da campanha do governo “Aqui tem famárcia popular”. É nestas pequenas demonstrações que vemos que o discurso de apartidarismo do sindicato não passa de conversa para boi dormir. A maioria dos dirigentes fazem parte das principais correntes internas do PT.

Página 7: as reportagens desta página, são, talvez, as mais demagógicas e enganadoras. Na primeira coluna temos uma reportagem sobre o “Projeto de regulamentação da profissão [de telemarketing] tem parecer favorável”. A diretoria saúda esta ilusão como uma “boa notícia aos operadores de telemarketing”. Como todos sabem, o trabalho em teleatendimento não é regulamentado e só existe uma precária Norma Regulamentadora, a NR17, que dá mais benefícios ao patrão do que aos trabalhadores. A regulamentação de uma profissão precária como a exercida por nós é fundamental. Mas ela não virá por um projeto do deputado federal Vicentinho (PT-SP) e por intermédio da instituição burguesa, chamada de Câmara dos deputados. A verdadeira regulamentação do trabalho em telemarketing só virá através da luta de classes, da organização e da mobilização dos trabalhadores. Qualquer promessa contrária, como faz “O parceiro”, é enganosa e só serve para semear ilusões por entre os trabalhadores.

Logo abaixo, vemos outra propaganda de medidas do governo. Aqui o governismo se mostra em todo o seu descomprometimento com o trabalhador, pois a diretoria apóia disfarçadamente as novas regras que começam a vigorar nos call centers. O Sinttel prefere propagandear a lei dos serviços regulados pelo governo (que só beneficia os clientes) à defender os teleoperadores, que são submetidos a uma terrível ditadura por parte da empresa. Os verdadeiros responsáveis pela demora no atendimento e por serviços precários são as próprias empresas de call centers, que fundamentalmente se preocupam com o lucro em cima dos teleoperadores. O cinismo da direção do Sinttel chega ao fundo do poço quando ela defende que estas “Mudanças podem gerar criação de postos de trabalho”. O “podem”, colocado no meio da frase, não é casual. É uma tentativa de não se comprometer com uma medida que certamente não se concretizará. Esta nova “mudança” não vai gerar mais postos de trabalho, o que significaria que as empresas teriam que contratar mais trabalhadores, ter mais gastos com o atendimento, etc. O que ocorrerá – e nos frisamos: ocorrerá certamente – será o aumento do fluxo de ligações para os trabalhadores já contratados, mais metas, mais assédio moral, mais exploração. Só a luta e organização por local de trabalho podem impedi-los.

Por fim, encontramos uma matéria que faz propaganda do ACT da Atento em 2008 de forma totalmente acrítica e submissa, portanto, sendo absolutamente conivente com as migalhas atiradas da mesa farta da patronal.

É por estas e muitas outras que nós afirmamos que o jornal deveria chamar-se “O parceiro do patrão”.